Aspectos Relevantes do Cameroun

 

AS INSTITUIÇÕES

 

REGIME POLÍTICO

 

O País está regulamentado pela Constituição do 18 de janeiro de 1996.  O  Cameroun  é  um Estado unitário descentralizado e democrático com um regime semi-presidencial. Todos os cidadãos adultos têm  direito  ao  voto  e  apresentar-se  às  eleições nacionais, regionais e locais. Há  mais  de  cem  partidos  políticos  dentre  os  quais,  alguns  deles  estão  representados  na Assembléia  Nacional;  a  Reunião  Democrática do Povo do Cameroun (Rassemblement démocratique du peuple camerounais RDPC);  a  União  Nacional  para a democracia e o progresso (Union nationale pour la démocratie et le progrès/UNDP); a União Nacional das populações do Cameroun (Union  nationale  des populations du Cameroun/UPC); o Movimento democrático para a defesa da República (Mouvement démocratique pour la défense de la République/MDR); a Frente Social Democrática (Le Social Democratic  Front / SDF);  a União  democrática  do  Cameroun  (Union  démocratique  du  Cameroun / UDC); o Movimento das liberdades e da democracia do Cameroun (Mouvement des libertés et de la démocratie du Cameroun/MLDC).

 

O Cameroun tem um presidente da República eleito pelo sufrágio universal direto, para um mandato de sete  anos  e  pode  ser reeleito apenas uma vez. Conforme a Constituição, ele é o Chefe de Estado e o símbolo da  unidade  nacional.  È  o  Chefe  do Executivo e garante o respeito à Constituição.

 

Ele nomeia o Primeiro Ministro, chefe do governo. O governo está encarregado da execução e da administração  dos  assuntos que interessam ao país, de acordo com a política definida pelo presidente da República.

 

A Constituição do Cameroun estabelece um poder legislativo composto por duas Casas:  a Assembléia Nacional e  o  Senado. 

Os deputados da Assembléia Nacional representam toda a nação. Os senadores representam as regiões. A  maioria  das  leis devem ser aprovadas pelas duas Casas.

 

Contudo,   é  perante  a  Assembléia  Nacional  que  o  governo  é  responsável.  A  Assembléia  Nacional  pode  questionar  a responsabilidade do governo pelo voto de uma moção de censura.

 

O Poder Judiciário é independente.

 

 

DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS

 

Para uma  melhor  apresentação  destes  diversos  aspectos  da   política  interna  do  Cameroun,  devemos  mencionar  que  a organização democrática e descentralizada, a que nos referimos acima, é a conclusão do esforço realizado por Sua Excelência o Senhor Paul Biya, Presidente da República do Cameroun, desde que tomou o poder em 6 de novembro de 1982.

 

De fato, quando o Presidente Paul Biya acedeu à Magistratura Suprema no dia 6 de novembro de 1982, o Cameroun, que conta com aproximadamente 230 tribos, estava dirigido por um Estado autoritário que  se  apoiava  sobre  um  partido  único  com  os objetivos, alegava-se então, de dar firmeza à nação do Cameroun, de salvaguardar a paz  após  a  guerra  civil  que  precedeu  a independência, e de promover o desenvolvimento econômico.

 

Por ocasião do primeiro Conselho de Ministros que presidiu em 11 de  novembro  de  1982,  e  particularmente  no  discurso  de votos do final do ano de 1983, assim como no transcurso da campanha de eleição presidencial  de  14  de  janeiro  de  1984,  o Presidente Paul Biya introduziu oficialmente os  objetivos  de praxe,  de  moralização  da  vida  pública,  de  liberalização  e  de democratização da sociedade.

 

Contudo, em razão dos problemas próprios de um  país  diversamente povoado,  de  equilíbrio  frágil,  estas  opções  terão  uma realização   metódica   e   gradual,   que  integra  a  tripla  necessidade  de  consolidar  a  nação  do  Cameroun,  intensificar  o desenvolvimento econômico e a liberalização do sistema político na paz e no consenso.

 

As principais partes deste percurso foram:

- o surgimento de jornais privados e independentes desde 1983;

- a democratização no âmbito do partido único com a instauração de candidatura  múltipla  para  os  cargos  eletivos  do partido em 1984;

- a supressão da candidatura única para a eleição presidencial;

- a criação do Comité Nacional dos Direito Humanos e das liberdades;

- a instauração do pluripartidarismo em 1991;

- a gratuidade do ensino primário para todos os camaronenses a partir do ano escolar 2000-2001.

 

Paralelamente, a legislação de excepção foi desmantelada;

 

- a repressão e a tortura foram condenadas, procedendo-se progressivamente à promoção dos direitos e liberdades.

Mais recentemente, o governo adotou, com a  aprovação  das  instituições  internacionais,  um  programa  nacional  visando  a moralização do governo com destaque na luta contra a corrupção e em favor da transparência na gestão dos assuntos públicos e de uma maior participação do cidadão nesta gestão.

 

 

 

AS UNIDADES ADMINISTRATIVAS

 

O  Cameroun  compreende  10  províncias  divididas  em  58  municipalidades,  divididas  em  269  subdivisões  e  53  distritos; administrados respectivamente por governadores, prefeitos, vice prefeitos e chefes  de  distrito,  todos  nomeados  por  decreto presidencial.

 

A reforma constitucional que acaba ser concluída criou um novo tipo de unidades administrativas: as regiões, assimiladas às 10 províncias atuais e que serão administradas por conselhos e executivos eleitos "in loco".

 

No Cameroun é possível distinguir dois tipos de administração municipal :

 

- as unidades administrativas urbanas e rurais: regidas por um prefeito e  uma  câmara  municipal  que são  eleitos.  São mais de 320 dentre as 336 existentes no país;

 

- as unidades administrativas de regime  especial:  são  as  unidades  urbanas  de  Garoua,  Maroua,  Limbé,  Bamenda, Nkongsamba, Ebolowa, Kumba, Edéa, Bafoussam e Douala e Yaoundé. Cada uma delas  têm um  conselho  eleito,  um presidente do conselho igualmente  eleito,  e  um  delegado  do  governo  nomeado  por  decreto  presidencial  que  está encarregado do executivo.

 

No Cameroun, as coletividades tradicionais que são as aldeias, as unidades territoriais ou reinos sobre às quais  um  chefe  de tribo exerce sua autoridade (sultanato, "lamidat"), formam o primeiro elo  da  corrente  administrativa  do  país.  As  autoridades tradicionais são hereditárias.

 

 

O Cameroun no Mundo

 

UMA DIPLOMACIA DE PRESENÇA, DE PARTICIPAÇÂO E DE IRRADIAÇÃO VOLTADA PARA A PAZ E A SEGURIDADE INTERNACIONAIS

 

O Presidente da República é o chefe da diplomacia do Cameroun que faz parte integralmente da área de suas  atribuições.  A este respeito, ele determina ao Ministro das Relações Exteriores a tarefa de garantir o prosseguimento das relações  pacíficas com os países estrangeiros. 

 

Um dos eixos essenciais da política externa do Cameroun, é hoje a participação ativa na nova diplomacia mundial dos direitos humanos. O Presidente da República viaja freqüentemente ao exterior  com  o  objetivo  de  procurar  a  paz  e  a  amizade. O Cameroun se preocupa em dar sua contribuição para o bom funcionamento da ONU como instrumento ao serviço da manutenção da paz e da segurança internacionais.

 

O Cameroun aderiu às organizações regionais permitidas pela Carta das Nações Unidas, tais como a Organização da Unidade Africana (OUA), e às organizações onde a meta principal é o estímulo da paz, d o  desenvolvimento  econômico  e  social;  por essa razão foi realizada, em Yaoundé, a 32 ª Conferência de Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da OUA nos dia 8,9 e 10 de julho de 1996, bem como a Conferência de Cúpula dos Chefes de Estado da França e da África no ano de 2001.

 

No que respeita de forma particular à diplomacia de promoção dos direitos humanos, o Cameroun, ao  mesmo  tempo  em  que verifica sua aplicação no plano interno, tem  aderido  a  vários  instrumentos  jurídicos  internacionais  que  foram  adotados  no contexto da defesa dos direitos humanos no cenário internacional.

 

Dentre estes instrumentos jurídicos podemos citar ;

 

- a Convenção sobre a redução dos casos de apátridas (30 de agosto de 1961);

- a Convenção internacional sobre a eliminação de toda forma de discriminação racial (21 de dezembro de 1965);

- o Pacto Internacional relativo aos direitos econômicos, sociais e culturais (16 de dezembro de 1966);

- a Convenção referente ao estatuto dos refugiados (16 de dezembro de 1966);

- a Convenção sobre a não prescrição dos crimes de guerra e dos crimes  contra  a  humanidade  (26  de  novembro  de 1968);

- a Convenção internacional sobre a eliminação de toda forma de discriminação  contra  a  mulher (18  de  dezembro  de 1979);

- a Convenção contra a tortura e outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos  e  degradantes (10  de  dezembro  de 1984);

- a Convenção de Genebra de 1949 e os protocolos adicionais de 1977;

- a Convenção sobre os direitos da criança (1990);

- a Carta africana dos direitos humanos e dos povos (1981).

 

A opção do Cameroun favorável a uma participação ativa na diplomacia  de  promoção  mundial  dos  direitos  humanos  e  dos povos, está concretamente expressada na posição irrevogável do Cameroun em favor da resolução  pacífica  e  jurisdicional  do conflito que opõe este país à Nigéria na península de Bakassi. Violando de  fato  todos  os  tratados  e  acordos  internacionais assinados desde 1885, tratados e acordos estes que situam a península da Bakassi no âmbito do território  do  Cameroun,  as forças nigerianas, atuando conforme às instruções do Presidente  Sani  Abacha,  invadiram  esta  península  camaronense  em 1993.

 

O Cameroun, face a este ato de provocação e agressão, reagiu :

 

- colocando as forças armadas do país face às tropas nigerianas de agressão;

 

- levando simultaneamente  o  conflito  às  instâncias  regionais  e  internacionais  de  negociação,  de  mediação  e  de conciliação, particularmente a OUA e o Conselho de Segurança das Nações Unidas;

 

- enviando a Lagos, junto ao  governo  da  Nigéria,  personalidades  do  Cameroun,  inclusive  o  Ministro  das  Relações Exteriores, em qualidade de enviados especiais de Sua Excelência o Senhor Paul   Biya,  presidente  da  República  do Cameroun, a fim de encontrar uma solução fraterna, bilateral e pacífica para a crise.

 

Em razão do silêncio dos antigos dirigentes da Nigéria no referente à procura de uma solução negociada, o Cameroun optou de forma irreversível pela via legal recorrendo à Corte Internacional de La Haia, mantendo igualmente contatos, a um mesmo tempo internacionais e bilaterais, com as autoridades da Nigéria e os países de boa vontade, para as negociações referentes às condições da manutenção da paz e do cessar fogo na península de Bakassi.

 

Esta dupla opção do Cameroun foi traduzida de forma concreta pelas ações seguintes:

  1. Em nível jurídico: o Cameroun recorreu, nos dia 24 de março e 6 de junho de 1994, à Corte Internacional de La Haia com duas demandas:

- a de confirmar a soberania do Cameroun sobre a península de Bakassi e sobre a parte litigiosa na zona do lago Tchad, e determinar o traçado de toda a fronteira marítima e terrestre entre os dois países, particularmente:

 

- a fronteira marítima entre o Cameroun e a Nigéria além do ponto "G" até o limite das zonas que o  direito  internacional coloca sob a sua jurisdição;

 

- a fronteira entre os dois países (do lago Tchad até o mar) sobre a base dos instrumentos jurídicos pertinentes elaborados pelo Cameroun;

 

- fazer constar que a Nigéria falta a seus compromissos internacionais em razão da violação de fronteiras do Cameroun e da ocupação de uma parte do território deste país, utilizando a força armada;

 

- fazer constar a partir desse momento que a responsabilidade internacional da Nigéria está comprometida, estando submetida a todas as conseqüências estipuladas pela lei.

 

No dia 15 de março de 1996, a Corte Internacional de Justiça ordenava medidas de forma a evitar os riscos de um agravamento da situação e a preservar os elementos de provas necessárias para a resolução do conflito.

 

No dia 11 de junho de 1998, a Corte rejeitou as oito objeções preliminares apresentadas pela Nigéria que pretendiam impedir  a aceitação das demandas do Cameroun e mostrar a falta de competência da alta Corte Internacional para julgar o assunto.

 

No dia 30 de junho de 1998, a Corte marcou o dia 31 de março de  1999,  como  último  prazo  para  a  Nigéria  apresentar  sua defesa. A Corte Internacional de Justiça havendo  já  declarado  sua  competência  no  assunto,  pronunciará  seu  veredicto  no momento oportuno.

  1. Em nível diplomático, as iniciativas do Cameroun diante da  agressão  da  Nigéria  foram  marcadas,  além  do  envio  de delegações especiais do Cameroun à Nigéria:

- pelo encontro dos Ministros das Relações Exteriores do Cameroun e da Nigéria  em  Kara,  no  Togo,  em  1994  e  em 1996.

 

-pelo envio, através do mundo, de missões do Cameroun visando sensibilizar os diversos países, com a  dupla  finalidade de explicar objetivamente a agressão da Nigéria sofrida pelo Cameroun e de conseguir apoio  dos Estados  membros  da comunidade internacional.

 

Estas iniciativas do Cameroun atingiram o ponto alto por ocasião  das  reuniões  de  cúpula  entre  o Presidente  Paul  Biya  do Cameroun e o General Abacha, Presidente da Nigéria, em junho de 1994, em Tunisia, e em março de 1997, em Lomé.

 

O Cameroun continua convencido que a paz e a solução pacífica  das  controvérsias  constituem  as  condições  necessárias e absolutas para o desenvolvimento econômico e harmonioso dos  Estados,  o  bem-estar  das  populações, e  a  instauração  de relações de amizade e cooperação entre os Estados, tanto no plano regional como no plano internacional.

 

O Cameroun respeitou sempre escrupulosamente convenções e  tratados  internacionais.  Ele  apela  para  que  a  comunidade internacional convide a Nigéria a fazer o mesmo.

 

Além do mais, as reivindicações sobre todos os pontos litigiosos e o procedimento pacífico das autoridades  camaronenses  se fundam de forma incontestável, de um lado, nas convenções, acordos e tratados  internacionais  assinados  desde  1885,  e  de outra parte, nos princípios e orientações tradicionais e intangíveis da política estrangeira do Cameroun.

 

No referente aos acordos, convenções e tratados, trata-se do conjunto de instrumentos jurídicos internacionais que  determinam as fronteiras terrestres e marítimas entre o Cameroun e a Nigéria.

 

Estas fronteiras têm uma extensão de 1720 km aproximadamente e constituem há três décadas pelo menos, o objeto de várias violações, e de inúmeras incursões militares e outras agressões por parte da Nigéria, sobretudo na  península  de  Bakassi,  na área do Lago Tchad e em outros lugares, em detrimento dos acordos e tratados bilaterais e internacionais nos quais se apoiam as reivindicações legítimas do Cameroun.

 

Os  seguintes   acordos   ou   tratados  internacionais,  que  constituem  a  base  das  reivindicações  legítimas  do  Cameroun apresentadas perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), podem ser citados:

 

- a Ata final da Conferência de Berlin de 26 de junho de 1885 referente, entre outras coisas, à determinação da  fronteira entre o Cameroun e a Nigéria;

 

- o intercâmbio de notas germano-britânicas de abril-junho de 1885, que definiu as esferas de influência da  Alemanha  e da Grã Bretanha (então antigas potências governando respectivamente o Cameroun e a  Nigéria),  a  partir  do  Golfo  de Guiné;

 

- o intercâmbio de notas germano-britânicas de julho-agosto de 1886 que determina a extensão da fronteira entre o setor (camaronense) alemão e o setor (nigeriano) britânico do Golfo de Guiné ao Rio del Rey;

 

- o Acordo anglo-alemão de 14 de abril de 1893 que determinou a margem direita do Rio del Rey como fronteira entre as possessões das duas partes;

 

- o Acordo anglo-alemão de 15 de novembro de 1893 : este acordo estendeu a fronteira comum até  as  águas  do  Lago Tchad;

 

- o Acordo anglo-alemão de 19 de março de 1906: este acordo definiu novamente a fronteira de Yola no Lago Tchad;

 

- o Protocolo de Archibong de 20 e abril de 1906 que tornou a definir a linha de demarcação entre o Cameroun e o sul da Nigéria. A fronteira se desloca assim do Rio del Rey para o rio Akwayafé;

 

- o intercâmbio de notas nos dias 22 de fevereiro e 5 de março de 1909 que confirma a demarcação dos dois setores  da fronteira Gorege-Lago Tchad e Uba-Mayo-Tiel;

 

- o Acordo anglo-alemão de 11 de março que determina o traçado da fronteira entre o Cameroun e a Nigéria de  Yola  até o mar. Os artigos 18,19,20 e 21 deste acordo definem claramente a "identidade camaronense" da península de Bakassi;

 

- o Protocolo do acordo de Obokum de 12 de abril de 1913 : este protocolo do acordo determina a fronteira de Yola até o rio Cross (setor 3). Oito mapas de referência estão anexados a este protocolo:

 

- o intercâmbio de notas de 6 de julho de 1914 que ratifica a demarcação  da  fronteira  comum  entre  o  Cameroun  e  a Nigéria tal como foi estabelecida pelo Protocolo do Acordo de Obokum;

 

- o intercâmbio de notas franco-britânico de 9 de janeiro de 1931 que fixa a fronteira do  ponto  triplo  do  Lago  Tchad  ao Pico Kombo (setor 1);

 

- o regulamento real britânico de 2 de agosto de 1946 : este regulamento estipula a definição do setor  2  da  fronteira  de Kombon até o rio Gamana;

 

- a linha Ngoh-Cooker de 4 de abril de 1971 ou a 2ª Declaração de Yaoundé (4 de abril de 1971). Este  acordo  determina a fronteira no setor 4 (Ponto 1 do rio Cross Ponto 12), no que tem sido combinado  em  denominar  a  2ª  Declaração  de Youndé, os dois Chefes de Estado, camaronense e nigeriano, dão à Comissão de fronteira  conjunta  Cameroun-Nigéria, instruções estabelecendo que a fronteira que separa os dois países é a que resulta da linha de compromisso traçada  de comum acordo sobre o mapa nº 3433 do Almirantado britânico até o limite de três mil milhas marinhas da linha que  une os pontos SANDY e TOM SHOT, conforme o tratado anglo-alemão de 1913.

 

No seu espírito, substância e letra, esta declaração confirma, de forma evidente, a identidade camaronense de Bakassi.

 

Além do mais, faz parte dos acordos bilaterais mencionados a eguir, que determinam a fronteira entre o Cameroun e a Nigéria:

 

- Primeira Declaração de Yaoundé: a Comissão de fronteira conjunta  Cameroun-Nigéria  esclareceu  que   a  delimitação das fronteiras entre os dois países devia ser realizada em três etapas: a determinação da fronteira marítima com base no protocolo anglo-alemão assinado em Obokum no dia 12 de abril de 1913  e  confirmado  através  de  um  intercâmbio  de documentos no dia 6 de julho de 1914; posteriormente a  delimitação  da  fronteira  terrestre  e  a  assinatura  pelos  dois países de um tratado visando dar um caráter legal à fronteira assim delimitada e fixada no próprio terreno.  A  delimitação da fronteira marítima deveria ser determinada até o dia 30 de setembro de 1970;

 

- a Declaração de Lagos (21 de junho de 1971) : a comissão traçou o limite das  águas  territoriais  sendo objeto  de  um acordo entre os Chefes de Estado do Cameroun  e  da  Nigéria  em  4  de  abril  de  1971.  Estabeleceu  para  uma  data posterior a obtenção de uma de um mapa adequado e a redação de um tratado sobre a fronteira marítima;

 

- a Declaração de Kano: assinada pelos Chefes e Estado do Cameroun e da Nigéria  em  1º  de  setembro  de  1974  por ocasião de uma visita do presidente Ahidjo à cidade de Kano; esta declaração  estabelece  um  corredor  de  quatro  km  delimitando uma zona de fronteira onde toda exploração de petróleo seria proibida para as duas partes;

 

- a Declaração de Maroua:  esta declaração foi assinada no dia 1º de junho de 1975 pelos  Presidentes  do  Cameroun  e da Nigéria no decorrer de uma reunião realizada em Maroua no período de 30 de maio a 1º de junho de 1975; ela estende a fronteira marítima entre o Cameroun e a Nigéria mais para o sul até o ponto dito "G";

 

- apesar de que ela foi assinada em nível mais alto dos  dois  Estados,  posteriormente  registrado  na  ONU,  adquirindo assim o valor de tratado, esta convenção foi denunciada de forma constante pela parte nigeriana pelo fato de não ter sido ratificada pela Assembleia Nacional da Nigéria, que não existia na época uma vez que o país estava sempre  sob regime militar.

 

Como complemento destes acordos bilaterais, devemos mencionar :

 

- as relações da comissão de técnicos da Comissão da Bacia do Lago Tchad;

 

- o princípio de inviolabilidade das fronteiras herdadas da colonização,  princípio  reconhecido  e  aceito  em  1964  pelos Chefes e Estado e do Governo dos países membros da OUA, inclusive o Cameroun e a Nigéria.

 

O segundo fundamento da atitude pacífica das autoridades do Cameroun (diante do conflito de fronteira que opõe o Cameroun e a Nigéria) tem como base as orientações tradicionais e os princípios intangíveis da política externa  do  Cameroun  ( tais  como são definidas e instituídas por Sua Excelência o Senhor Paul Biya, Presidente da República do Cameroun), mencionaremos:

 

- a independência nacional, a paz, a cooperação e a segurança internacionais;

 

- as relações de boa vizinhança com os Estados limítrofes, conforme as normas  definidas  pelas  convenções  entre  os países africanos e o direito internacional;

 

- a promoção dos direitos humanos e dos povos assim como das liberdades na sub-região da África Central, na  África e no mundo através das instituições sub-regionais (Comunidade Econômica dos Estados da  África  Central  ou  CEEAC), continental (OUA) e universal (ONU).

 

- o esforço em favor de uma solidariedade mais estreita entre os povos africanos;

 

- a não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados;

 

- a resolução de controvérsias pela via pacífica;

 

- a promoção do desenvolvimento econômico caracterizado pela instauração de  um  clima  de  intercâmbios  benéficos entre os povos;

 

- o respeito da inviolabilidade das fronteiras herdadas da colonização;

 

- a cooperação numa perspectiva de intensificação da unidade africana, sub-regional e continental.

 

Contudo, um elemento novo surgiu no litígio de fronteira após a morte de Abacha em 1998, particularmente desde a tomada do poder do General Abdusalam Abubakar e do Presidente Olusegun Obasanjo : o cessar-fogo e em conseqüência de  um  clima de paz entre as forças armadas do Cameroun e da Nigéria que se encontram "face à face" na península de Bakassi.

 

Finalmente, devemos lembrar que o Cameroun , fiel a sua política tradicional de paz e de resolução pacífica  das  controvérsias faz questão de respeitar a solução legal através do veredicto que está esperando  da  Corte  Internacional  de  Justiça  (CIJ).  É precisamente nesta perspectiva que o Cameroun se comprometeu igualmente a promover a paz e a  segurança  no  Continente Africano em geral e no âmbito da sub-região da África Central em particular. Em  nível  continental,  o  Cameroun  trabalhou  de forma  constante  com  os  países  africanos  objetivando  uma  maior  eficácia  dos  mecanismos  de  resolução  pacífica  das controvérsias no contexto da OUA (Organização da Unidade Africana).

 

A OUA tem privilegiado de fato até 1993, a negociação, a mediação e a reconciliação como métodos de resolução de conflitos, seguindo o exemplo da comissão denominada de conciliação, criada em julho de  1977,  visando  a  resolução  do  conflito  do Tchad com a Líbia referente à faixa d’Aouzou, comissão esta da qual faziam parte os presidentes do Cameroun, da Algéria, da Nigéria, do Senegal, Gabão e Moçambique.

 

Devido ao impulso dado pelo Cameroun e outros países africanos, os Chefes de Estado e de Governo dos países membros  da OUA, decidiram por ocasião da vigésima nona conferência de cúpula desta organização (Cairo, junho de 1993) criar  e  instalar um Mecanismo para a prevenção, gestão e resolução de conflitos.

 

Este mecanismo tem sido atuante e revelou um novo esforço da OUA através do deslocamento de observadores da organização pan-africana no Burundi.

 

No contexto da sub-região da África Central, o Cameroun teve a honra de presidir o Comitê Consultivo Permanente das  Nações Unidas sobre questões de segurança em África Central durante o período de 1998 a 1999.

 

Também convém frisar que de 19 a 21 de julho de 1999, foi realizado em Yaoundé, um seminário de alto nível, no âmbito  desta sub-região, para o exame e aplicação das recomendações contidas no relatório do Secretário Geral da ONU

 

dos conflitos e a promoção de uma paz e de um  desenvolvimento  duradouro  na  África,  com  a  participação  do   Cameroun, Burundi, Gabão, da Guiné Equatorial, República  Centro-africana, República Democrática do  Congo, de  Ruanda,  São  Tomé e Príncipe, do Congo e do Tchad, representantes da sociedade civil, representantes e técnicos das Nações Unidas.

 

Dentre as resoluções deste importante seminário, os países participantes decidiram:

 

- promover as relações de cooperação em matéria de intensificação dos esforços para  a  manutenção  da paz  entre  os países da sub-região;

 

- adotar medidas visando a instauração rápida de um organismo de prevenção, de gestão e de resolução dos conflitos na África Central;

 

- recomendar a agilização do processo objetivando  emendar  os textos  constitutivos  da  Comunidade  Econômica  dos Estados da África Central (CEEAC) a fim de permitir a  integração  do  "Conselho  de  Paz  e  de  Segurança  da  África Central/COPAX". 

 

- optar pela revisão e harmonização das leis nacionais relativas ao porte de armas.

Estas recomendações tiveram avanços significativos, com vistas a sua aplicação, por ocasião da terceira sessão extraordinária dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Econômica dos Estados da África Central que foi realizada em Malabo, no dia 24 de fevereiro de 2000.

 

Nesta ocasião, os Chefes de Estado do Cameroun, da República Centro-africana, da República do Congo,  do  Gabão,  de  São Tomé e Príncipe, do Tchad e os representantes  de  Angola,  do  Burundi,  da  República  Democrática  do  Congo  adotaram  e assinaram:

 

1) o protocolo relativo ao Conselho de Paz e de Segurança da África Central/COPAX;

 

2) um pacto de assistência mútua entre os Estados membros da CEEAC.

 

Devemos destacar que :

- o protocolo referente ao COPAX define a organização, as atribuições e o seu funcionamento;

 

- os órgãos  do  COPAX  estão  assessorados  por  um  Mecanismo  Rápido de Alerta da África Central (MARAC) e por uma força multinacional da África Central;

 

- através da assinatura do "Pacto de Assistência Mútua", os Estados  membros  da  Comunidade Econômica da  África Central se comprometem à prestação de ajuda e assistência para sua defesa contra toda ameaça de agressão ou  toda agressão armada;

 

- os Chefes de Estado se comprometeram para agilizar nos respectivos países os procedimentos de  ratificação  destes textos tendo em consideração a importância das questões examinadas.

 

Em conjunto, estes mecanismos constituem uma contribuição muito importante para  a  prevenção e  resolução  dos  conflitos; conflitos estes em que a aquisição de recursos naturais é a maior causa.

 

A COOPERAÇÃO ECONÔMICA INTERNACIONAL


No plano da cooperação econômica internacional, o Cameroun é uma  locomotiva  da  África  Central  no  campo  dos  serviços. Mencionamos como exemplo o porto de Douala, que serve de  estrutura  de  trânsito  para  os  países  situados  no  interior  da região, sendo responsável pelas exportações e importações no âmbito da África Central.

 

O Cameroun ocupa assim um lugar  particularmente  importante  na  Comunidade  Econômica  e  Monetária  da  África  Central CEMAC.  Esta  função  de  destaque  econômico  se  reflete  igualmente  através  das  dotações  dos  orçamentos  anuais   do Cameroun.

 

Como ilustração, apresentamos a seguir em suas diversas dotações  o  orçamento  anual  do  Cameroun  para  o  exercício  de 1997-1998, primeiro ano de um novo período de sete anos no Cameroun.

 

Para o exercício de 1997-1998, o orçamento do Estado atingiu 1.214.750.000.000  de  francos  CFA,  sendo o  dos  Correios  e Telecomunicações de 42 bilhões. Assim, os créditos abertos no orçamento consolidado da República do Cameroun  tais  como aprovados pela Assembléia  Nacional  foram  de  1.256.750.000.000  de  francos  CFA,  um  aumento  de  143.750.000.000  em comparação aos 1.113 bilhões de francos CFA do exercício anterior de 1994-1995.

 

Presidência e Serviços relacionados:.......................................................................................... 16.891.000.000 de francos CFA
Assembléia Nacional:.............................................................................................................. 5.895.000.000
Serviços do Primeiro Ministro:................................................................................................... 3.226.000.000
Conselho Econômico e Social:................................................................................................... 336.000.000
Relações Exteriores:............................................................................................................... 9.926.000.000
Administração Territorial:......................................................................................................... 17.720.000.000

Justiça:...............................................................................................................................

5.836.000.000
Segurança Nacional:.............................................................................................................. 27.399.000.000
Defesa:............................................................................................................................... 75.707.000.000 francos CFA
Cultura:............................................................................................................................... 1.386.000.000
Educação Nacional:............................................................................................................... 84.697.000.000
Juventude e Desportos:.......................................................................................................... 5.288.000.000
Comunicação:....................................................................................................................... 2.117.000.000
Ensino Superior:.................................................................................................................... 11.795.000.000
Pesquisa Científica e Técnica:.................................................................................................. 5.509.000.000
Economia e Finanças:............................................................................................................. 24.782.000.000
Comércio e Indústria:.............................................................................................................. 1.723.000.000
Turismo:............................................................................................................................... 1.337.000.000
Agricultura:........................................................................................................................... 118.514.000.000
Pecuária, Pesca e Indústria de produtos de origem animal:............................................................. 3.791.000.000
Minas, Água e Energia:............................................................................................................ 4.918.000.000
Meio Ambiente e Florestas:...................................................................................................... 3.419.000.000
Obras Públicas:...................................................................................................................... 34.314.000.000
Urbanismo e Habitação:........................................................................................................... 10.488.000.000
Saúde Pública:...................................................................................................................... 31.322.400.000
Trabalho e Previdência Social:.................................................................................................. 1.614.000.000
Assuntos Sociais e Direitos da Mulher:....................................................................................... 2.217.000.000
Transportes:......................................................................................................................... 2.311.000.000
Administração Pública e Reforma Administrativa:.......................................................................... 2.722.000.000

 

O  Orçamento   do   Estado   para   o   exercício   de   1997-1998,   constituído  por  estas  receitas  e  despesas  se  elevou  a 1.256.750.000.000 francos CFA.

 

Finalmente é preciso assinalar que, conforme o plano de industrialização adotado pelas autoridades do país, o  Cameroun  está aberto aos investimentos externos e uma política ativa de  estímulo  destes  investimentos  está  sendo  executada  através  da adoção de um código de investimentos dos mais convidativos que:

 

- garante a segurança perante a lei dos investimentos;

 

- permite a remessa de lucros para o país de origem dos investimentos;

 

- oferece facilidades para a instalação dos investidores e das empresas estrangeiras.

 

Devemos mencionar aqui que, ao tempo em que mantém seus laços com os parceiros tradicionais, o Cameroun  está  aberto a toda cooperação que seja vantajosa reciprocamente com todos os países e operadores do mundo.

 

Além do mais, em decorrência da criminalidade que prolifera no mundo em razão  da  crise  e  da  recessão  internacionais,  as autoridades do Cameroun naquilo que diz respeito ao país, estão intensificando a ação das forças de segurança no conjunto do território para garantir a segurança física dos estrangeiros e nacionais assim como das propriedades e  investimentos.  Após  a adoção destas medidas reina a calma. Por outro lado, é preciso  frisar  que  para  o  conforto  dos  turistas  e  dos  investidores estrangeiros que desejarem ir ao Cameroun:

 

- a península de Bakassi, objeto de um litígio de fronteira entre o Cameroun e a Nigéria não  está  situada  no  centro  do território camaronense que tem uma  área  de  475.440 km2,  mas  na  parte  extrema  do  sudoeste  do  Cameroun,  às margens do Golfo da Guiné voltado para o Oceano Atlântico;

 

- Há dois anos o clima de paz reina na área do litígio após a morte súbita do General Abacha e a  tomada  do  poder  do General Abdusalami Abubakar e o Presidente Olusegun Obasanjo;

 

- As forças armadas do Cameroun e da Nigéria que estão posicionadas na área estão conscientes  da  necessidade  de manutenção de um clima de paz no aguardo do veredicto da Corte Internacional de Justiça.

 

 

O COMÉRCIO EXTERIOR

 

No transcurso do primeiro trimestre do exercício de 1999/2000, os  principais  produtos  exportados  pelo  Cameroun  foram  os produtos do petróleo bruto (86,2 bilhões de francos CFA por 1,5 milhões de toneladas), os produtos não elaborados sem ter em conta o petróleo bruto representaram 28,5% das receitas de exportação:  banana, café  arábigo  e  robusta,  madeira,  cacau  e subprodutos, tiveram a maior contribuição.

 

Os produtos industriais representaram 32,4% das receitas de exportação tais como folhas de revestimento, madeiras.

 

Tradicionalmente e  até  1993/1994  a  França  era  o  principal  importador  dos  produtos  de  exportação  do  Cameroun.  Em 1993-1994, a França importou 21,5% das exportações do  Cameroun,  seguida  da  Itália  (15,56%),  da  Espanha  (15%)  e  do Benelux (2,3%).

 

Esta tendência foi modificada desde o período de 1996-1997 com um incremento das importações da Itália (25,5%), seguida da 

Espanha (20,4%) e da França (16%).  Esta  nova  tendência  teve  uma  alteração  durante  o  primeiro  semestre  do  exercício  de 1999/2000, particularmente em novembro de 1999, com 18,3% para Itália, 17,7% para a França e 15,8% para a Espanha.

 

A França porém, continuou sendo o principal fornecedor do Cameroun com 25,1% das despesas em importação do  Cameroun em 1996-1997, e 26,7% em novembro de 1999.

 

Em 1998, as exportações globais do Cameroun atingiram o valor de 985 bilhões 827 milhões de francos CFA e esta  tendência foi reforçada no transcurso dos anos seguintes.

 

 

AS REFORMAS ECONÔMICAS

 

O Cameroun, independente desde 1960, teve durante 27 anos um crescimento constante, que se acelerou de 1980 a 1986 com os benefícios da exploração do petróleo.

 

Contudo, desde o ano de 1987, em razão da queda dos preços dos principais produtos de exportação  (petróleo,  café.  cacau); queda esta ligada à recessão surgida no mercado internacional, o Cameroun passou por uma crise importante  que  precisou  a implementação pelo Estado, com o apoio do Banco Mundial, de um programa de ajuste estrutural  objetivando  restabelecer  os grandes equilíbrios financeiros e retomar o crescimento da economia nacional.

 

Além do mais, no contexto da política de liberalização geral da economia, da criação de um ambiente propício aos  negócios  e de incentivo ao setor privado, o governo adotou uma série de medidas, dentre as quais a substituição  das  múltiplas  taxas  por uma taxa de valor adicionado (TVA), o melhoramento da fiscalização e sua extensão para o setor informal que ocupa  um  lugar importante na economia do país, a aceleração das privatizações, o código de investimentos  favorável  aos  capitais  nacional  e estrangeiro, e um regime de zona franca.

 

Foi verificado que a forte supervalorização do franco CFA com relação ao franco francês teve  como  conseqüência  tornar  mais caras as principais exportações e até o processo de produção até  no  mercado  interno,  daí  a  decisão  de  fazer  um  acordo comum com os países da Zona Franca, inclusive com a  França,  visando  modificar  a  paridade  franco  CFA-franco  francês: o franco CFA foi desvalorizado no dia 12 de janeiro de 1994 em Dakar.

 

No período de 1993-1994, a produção interna bruta do Cameroun era de 3 416 bilhões de francos CFA. Ela atingiu 5.407 bilhões de francos CFA em 1998.

 

 

AS COMUNICAÇÕES

 

A maior parte das emissoras de rádio e de televisão operam através  da  Corporação  da  Rádio  e  da  Televisão  do  Cameroun (CRTV), uma empresa pública.

 

O Parlamento do país adotou uma lei que autoriza a mídia privada da comunicação; assim, sociedades privadas  e  particulares poderão   adquirir   o   equipamento  indispensável  para  operar  uma  rádio  ou  um  canal  de  televisão.  O  decreto  para  sua implementação foi assinado pelo Primeiro Ministro no dia 3 de abril de 2000.

 

Nas cidades, muitos lares possuem um televisor; outro acessório popular é o vídeo. Alugar filmes e assistí-los em casa  é  algo comum.

 

O  Cameroun  como  muitos  outros  países assiste  a  uma  revolução  da  televisão. Com  ajuda  de  antenas  parabólicas  os telespectadores vêem programas de televisão oriundos de quase todos os países do mundo.

 

Os serviços do Correio são também  muito  dinâmicos;  existem  serviços  de  entrega  rápida.  Os  Camaronenses  podem  se comunicar  rapidamente com os habitantes de outros países através de telex, telefone, fax e correio eletrônico.  A Internet  está apresentando uma expansão rápida.

 

As comunicações particulares e de negócios são efetuadas com o apoio de 108 mil telefones existentes  no  país.  Só  precisa discar diretamente os números; o sistema é automático. No Cameroun podem ser encontrados dezenas de títulos de jornais, a maioria são particulares.

 

A empresa CAMTEL está encarregada das  telecomunicações  internacionais  do  Cameroun.  A  CAMTEL  é  membro  de  um consórcio INTELSAT que opera e transmite informações para cinco continentes.  O  telefone  celular  tem  um  desenvolvimento rápido com a instalação das empresas privadas de grande porte tais como a Sociedade Camaronense de Telefonia Móvel, mais conhecida através de sua marca comercial a MOBILIS e a MTM.

 

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO


A contribuição do Cameroun no mundo científico e tecnológico têm como principal destaque a agricultura e a pesquisa no  setor da medicina.

Na agricultura os pesquisadores do Cameroun trabalham em estações experimentais  procurando novos pés de plantas híbridas para os vegetais; o que permite o aumento do rendimento dos produtos de  alimentação.  Eles  encontraram  igualmente  novos meios de conservação dos alimentos, de preservação, estoque e comercialização dos produtos agrícolas. Os pesquisadores do país melhoraram igualmente matrizes animais o que proporcionou uma carne excelente.

 

Progressos consideráveis foram realizados através de uma melhor utilização da terra. Graças a melhores métodos na utilização de fertilizantes e de conservação dos solos, a produção é cada vez maior.

 

No campo da medicina as pesquisas no Cameroun sobre o VIH (como no resto do  mundo)  estão  sendo  aceleradas  para  os tratamentos preventivos tais como: bactericidas, produtos aplicados localmente destinados a matar os vírus e as bactérias.

 

Neste setor a pesquisa local fez grandes progressos com a descoberta da planta de Korup, produzida  na  reserva  florestal  do mesmo nome na província do Sudoeste. Os pesquisadores americanos já determinaram a eficácia desta planta.  Contudo,  sua eficácia é muito próxima daquela da toxidade; razão pela qual os experimentos nos  seres  humanos  não  foram  jamais  feitos pelos cientistas. Por enquanto, os médicos tradicionais que possuem a planta continuam a administrá-la com relativosucesso.

 

Longe destes métodos empíricos da medicina tradicional, a humanidade mantém a esperança com as vacinas que  previnem  a contaminação.

 

 

SISTEMA BANCÁRIO

 

O Cameroun é membro da Zona do Franco. A unidade  monetária  é  o  franco CFA:  1 franco francês  =  100 F CFA.  Devemos frisar que um euro vale 6,55955 FF sendo igual a 655,955 FCFA.

 

Ao Banco dos Estados da África Central (BEAC) criado em 1972, cuja sede é Yaoundé, incumbe a função de emitir moeda nos Estados da África Central mencionados a seguir: a República Centro-africana, o Congo, o Gabão, o Tchad, a Guiné Equatorial e o Cameroun.

 

Os bancos instalados no Cameroun têm  uma  rede  mundial  de  agências. Cooperativas  financeiras  existem  também  e  são denominadas "tontine", forma informal de associação rotativa de poupança e crédito.

 

 

A PREVIDÊNCIA SOCIAL

 

A maioria dos trabalhadores do Cameroun tem o benefício da aposentadoria.

 

O Instituto Nacional de Previdência Social (Caisse nationale de prévoyance/CNPS) criado no dia1º de julho de 1967, administra as contribuições dos empregados e empregadores e paga aos trabalhores e famílias as pensões  em  caso  de  aposentadoria, morte ou invalidez.

 

 

O SINDICALISMO

 

A legislação do Cameroun estimula a formação de sindicatos no setor privado e também na administração pública.

 

Há duas centrais sindicais no Cameroun: a Confederação Sindical dos  Trabalhadores  do  Cameroun  (CSTC)  e  a  União  dos Sindicatos Livres do Cameroun (USLC).

 

 

A SITUAÇÃO DA MULHER

 

As mulheres representam 51% da população do Cameroun. A luta contra as práticas discriminadoras a respeito das mulheres é traduzido no Cameroun por textos legislativos e regulamentos relativos ao respeito dos direitos da mulher.

 

A mulher do Cameroun tem acesso a todas as profissões:  assim,  há  mulheres  advogadas,  médicas etc...   Elas constituem 32,6% do quadro da administração pública. No plano político, a Assembléia Nacional tem em seu âmbito 11 deputados que são mulheres. Uma mulher foi membro da Corte Suprema, 04 mulheres faziam parte do governo atual,  além  do  mais  07 mulheres foram membros do governo desde a independência.

 

A mulher do Cameroun  está  presente  em  três  grandes  setores  de  atividades  do  país  sobretudo  no  setor  primário.  Sua contribuição na economia se faz sentir de forma particular nas  atividades  formais:  56,8% dos  trabalhadores  neste  setor  são mulheres. (a auto-suficiência em alimentação está assegurada por elas).

 

Cameroon Data Profile

 

Definition 1996 1999 2000
People:
Population, total  13.5 million  14.7 million  15.1 million
Population growth (annual %) 2.7 2.7 2.6
Populatlon density (people per sq. km) 29.1 31.6   32.4
Life expectancy at birth (years) - 50.9  -
Fertility rate, total (births per woman) - 4.9 -
Mortality rate, infant (per 1,000 live births) - 77.2 -
Mortality rate, under-S (per 1,000 live births) - 154.0 -
Malnutrition prevalence (% of children under 5) - - -
Urban population (% of total) 45.5  48.1  48.9
Rural population density (per sq. km of arable land) 123.8 - -
IlIiteracy rate, adult male (% of males 15+) 21.6 18.8  17.9
Illiteracy rate, adult female (% of remates 15+) 36.0 31.4 30.0
School enrollment, primary (% net) School enrollment, secondary (% net) - - -
School enrollment, primary, remate (% net) - - -
School enro!iment, secondary, female (% net) - - -
Environmente:
Surface area (sq. km) 475.4 thousand 475.4 thousand 475.4 thousand
Forest area (sq. km) - - 238.6 thousand
Annual deforestation (% of change) - - 0.9
Freshwater resources per capita (cubic meters) - 18.243,0 -
CO2 emissions (metric tons per capita) 0.2 - -

Improved water source, urban (% of urban population with access)

- - 82.0

Improved sanitation facilitles, urban (% of urban populatíon with access)

- - 99.0
Commercial energy use (kg of oil equivalent per capita) 429.0 - -
Electric power consumptíon per capita (kwh) 170.9 - -
Economy:
GNI, Atlas method (current US$) 8.4 billion  8.8 billion   8.6 billion
GNI per capita, Atlas method (current US$)  620.0  600.0  570.0
GDP (current $)  9.1 billion  9.2 billion  8.7 billion
GDP growth (annual %) 5.0   4.4  4.2
Inflation, GDP deflator (annual %)  5.4  -1.2  1.2
Agriculture, value added (% of GDP)  41.3  43.5 -
Industry, value added (% of GDP)  22.2  18.6 -
Services, etc., value added ("% of GDP)  36.5  37.8 -
Exports of goods and services (% of GDP)  22.5  24.4 -
Imports of goods and services (% of GDP)  20.5  24.9 -
Gross capital formation (% of GDP)  15.4  19.5 -
Current revenue, excluding grants (% of GDP) - 16.0 -
Overall budget deficit, including grants (% of GDP) - 0.1 -
Money 2nd quasí money growth (annual %)  -10.1  13.3  19.1
Technoiogy and Infrastucture:
Telephone mainlines (per 1,000 people)  5.2  6.0 -

Telephone average cost of local cal! (US$ per three minutes)

0.1 - -
Personal computers (per 1,000 people)  1.8  2.7 -
Internet hosts (per 10,000 people) 0.0 0.0 0.0
Paved roads (% of total) - - -
Aircraft departures  3,800.0  5,400.0 -
Trade and Finance:
Trade in goods as a share of PPP GDP C%)  14.8  12.7 -
Trade in goods as a share of goods GDP (%)  51.6 53.1 -
Net barter terms of trade (1995=100) 101.1 - -
Foreign direct investment, net inflows in reporting country (WDI, current US$) 35.0 million 40.0 million -
Present value of debt (current US$) 0.0  6.6 billion -
Total debt service (current US$)  509.8 million  548.9 million -
Short-term debt outstanding (current US$)  1.3 billion  1.3 billion -
Aid per capita (current US$)  30.4  29.5 -


Source: World Develpment Indicators database, july 2001