Aspectos Relevantes do Cameroun
AS
INSTITUIÇÕES
REGIME
POLÍTICO
O
País está regulamentado pela Constituição do 18 de janeiro de
1996. O Cameroun é um Estado unitário
descentralizado e democrático com um regime semi-presidencial.
Todos os cidadãos adultos têm direito ao voto
e apresentar-se às eleições nacionais, regionais
e locais. Há mais de cem partidos
políticos dentre os quais, alguns
deles estão representados na Assembléia
Nacional; a Reunião Democrática do Povo do Cameroun
(Rassemblement démocratique du peuple camerounais RDPC);
a União Nacional para a democracia e o progresso
(Union nationale pour la démocratie et le progrès/UNDP); a União
Nacional das populações do Cameroun (Union nationale
des populations du Cameroun/UPC); o Movimento democrático para
a defesa da República (Mouvement démocratique pour la défense
de la République/MDR); a Frente Social Democrática (Le Social
Democratic Front / SDF); a União democrática
do Cameroun (Union démocratique du
Cameroun / UDC); o Movimento das liberdades e da democracia do
Cameroun (Mouvement des libertés et de la démocratie du Cameroun/MLDC).
O
Cameroun tem um presidente da República eleito pelo sufrágio universal
direto, para um mandato de sete anos e pode
ser reeleito apenas uma vez. Conforme a Constituição, ele é o
Chefe de Estado e o símbolo da unidade nacional.
È o Chefe do Executivo e garante o respeito
à Constituição.
Ele
nomeia o Primeiro Ministro, chefe do governo. O governo está encarregado
da execução e da administração dos assuntos que interessam
ao país, de acordo com a política definida pelo presidente da
República.
A
Constituição do Cameroun estabelece um poder legislativo composto
por duas Casas: a Assembléia Nacional e o Senado.
Os
deputados da Assembléia Nacional representam toda a nação. Os
senadores representam as regiões. A maioria das
leis devem ser aprovadas pelas duas Casas.
Contudo,
é perante a Assembléia Nacional
que o governo é responsável. A
Assembléia Nacional pode questionar a
responsabilidade do governo pelo voto de uma moção de censura.
O
Poder Judiciário é independente.
DEMOCRACIA
E DIREITOS HUMANOS
Para
uma melhor apresentação destes diversos
aspectos da política interna do
Cameroun, devemos mencionar que a organização
democrática e descentralizada, a que nos referimos acima, é a
conclusão do esforço realizado por Sua Excelência o Senhor Paul
Biya, Presidente da República do Cameroun, desde que tomou o poder
em 6 de novembro de 1982.
De
fato, quando o Presidente Paul Biya acedeu à Magistratura Suprema
no dia 6 de novembro de 1982, o Cameroun, que conta com aproximadamente
230 tribos, estava dirigido por um Estado autoritário que
se apoiava sobre um partido único
com os objetivos, alegava-se então, de dar firmeza à nação
do Cameroun, de salvaguardar a paz após a guerra
civil que precedeu a independência, e de promover
o desenvolvimento econômico.
Por
ocasião do primeiro Conselho de Ministros que presidiu em 11 de
novembro de 1982, e particularmente
no discurso de votos do final do ano de 1983, assim
como no transcurso da campanha de eleição presidencial de
14 de janeiro de 1984, o Presidente
Paul Biya introduziu oficialmente os objetivos de
praxe, de moralização da vida pública,
de liberalização e de democratização da sociedade.
Contudo,
em razão dos problemas próprios de um país diversamente
povoado, de equilíbrio frágil, estas
opções terão uma realização metódica
e gradual, que integra a
tripla necessidade de consolidar a
nação do Cameroun, intensificar o desenvolvimento
econômico e a liberalização do sistema político na paz e no consenso.
As
principais partes deste percurso foram:
-
o surgimento de jornais privados e independentes desde 1983;
-
a democratização no âmbito do partido único com a instauração
de candidatura múltipla para os cargos
eletivos do partido em 1984;
-
a supressão da candidatura única para a eleição presidencial;
-
a criação do Comité Nacional dos Direito Humanos e das liberdades;
-
a instauração do pluripartidarismo em 1991;
-
a gratuidade do ensino primário para todos os camaronenses a partir
do ano escolar 2000-2001.
Paralelamente,
a legislação de excepção foi desmantelada;
-
a repressão e a tortura foram condenadas, procedendo-se progressivamente
à promoção dos direitos e liberdades.
Mais
recentemente, o governo adotou, com a aprovação das
instituições internacionais, um programa
nacional visando a moralização do governo com destaque
na luta contra a corrupção e em favor da transparência na gestão
dos assuntos públicos e de uma maior participação do cidadão nesta
gestão.
AS
UNIDADES ADMINISTRATIVAS
O
Cameroun compreende 10 províncias divididas
em 58 municipalidades, divididas em
269 subdivisões e 53 distritos; administrados
respectivamente por governadores, prefeitos, vice prefeitos e
chefes de distrito, todos nomeados
por decreto presidencial.
A
reforma constitucional que acaba ser concluída criou um novo tipo
de unidades administrativas: as regiões, assimiladas às 10 províncias
atuais e que serão administradas por conselhos e executivos eleitos
"in loco".
No
Cameroun é possível distinguir dois tipos de administração municipal
:
-
as unidades administrativas urbanas e rurais: regidas por um prefeito
e uma câmara municipal que são eleitos.
São mais de 320 dentre as 336 existentes no país;
-
as unidades administrativas de regime especial: são
as unidades urbanas de Garoua, Maroua,
Limbé, Bamenda, Nkongsamba, Ebolowa, Kumba, Edéa, Bafoussam
e Douala e Yaoundé. Cada uma delas têm um conselho
eleito, um presidente do conselho igualmente eleito,
e um delegado do governo nomeado
por decreto presidencial que está encarregado
do executivo.
No
Cameroun, as coletividades tradicionais que são as aldeias, as
unidades territoriais ou reinos sobre às quais um
chefe de tribo exerce sua autoridade (sultanato, "lamidat"),
formam o primeiro elo da corrente administrativa
do país. As autoridades tradicionais são hereditárias.
O
Cameroun no Mundo
UMA DIPLOMACIA DE PRESENÇA, DE PARTICIPAÇÂO E DE IRRADIAÇÃO VOLTADA
PARA A PAZ E A SEGURIDADE INTERNACIONAIS
O Presidente da República é o chefe da diplomacia do Cameroun
que faz parte integralmente da área de suas atribuições.
A este respeito, ele determina ao Ministro das Relações Exteriores
a tarefa de garantir o prosseguimento das relações pacíficas
com os países estrangeiros.
Um dos eixos essenciais da política externa do Cameroun, é hoje
a participação ativa na nova diplomacia mundial dos direitos humanos.
O Presidente da República viaja freqüentemente ao exterior
com o objetivo de procurar a
paz e a amizade. O Cameroun se preocupa em dar
sua contribuição para o bom funcionamento da ONU como instrumento
ao serviço da manutenção da paz e da segurança internacionais.
O Cameroun aderiu às organizações regionais permitidas pela Carta
das Nações Unidas, tais como a Organização da Unidade Africana
(OUA), e às organizações onde a meta principal é o estímulo da
paz, d o desenvolvimento econômico e social;
por essa razão foi realizada, em Yaoundé, a 32 ª Conferência de
Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da OUA nos dia 8,9 e
10 de julho de 1996, bem como a Conferência de Cúpula dos Chefes
de Estado da França e da África no ano de 2001.
No que respeita de forma particular à diplomacia de promoção dos
direitos humanos, o Cameroun, ao mesmo tempo
em que verifica sua aplicação no plano interno, tem
aderido a vários instrumentos jurídicos
internacionais que foram adotados no contexto
da defesa dos direitos humanos no cenário internacional.
Dentre estes instrumentos jurídicos podemos citar ;
- a Convenção sobre a redução dos casos de apátridas (30 de agosto
de 1961);
- a Convenção internacional sobre a eliminação de toda forma de
discriminação racial (21 de dezembro de 1965);
- o Pacto Internacional relativo aos direitos econômicos, sociais
e culturais (16 de dezembro de 1966);
- a Convenção referente ao estatuto dos refugiados (16 de dezembro
de 1966);
- a Convenção sobre a não prescrição dos crimes de guerra e dos
crimes contra a humanidade (26 de
novembro de 1968);
- a Convenção internacional sobre a eliminação de toda forma de
discriminação contra a mulher (18 de
dezembro de 1979);
- a Convenção contra a tortura e outras penas ou tratamentos cruéis,
desumanos e degradantes (10 de dezembro
de 1984);
- a Convenção de Genebra de 1949 e os protocolos adicionais de
1977;
- a Convenção sobre os direitos da criança (1990);
- a Carta africana dos direitos humanos e dos povos (1981).
A opção do Cameroun favorável a uma participação ativa na diplomacia
de promoção mundial dos direitos
humanos e dos povos, está concretamente expressada
na posição irrevogável do Cameroun em favor da resolução
pacífica e jurisdicional do conflito que opõe
este país à Nigéria na península de Bakassi. Violando de
fato todos os tratados e acordos
internacionais assinados desde 1885, tratados e acordos estes
que situam a península da Bakassi no âmbito do território
do Cameroun, as forças nigerianas, atuando conforme
às instruções do Presidente Sani Abacha, invadiram
esta península camaronense em 1993.
O Cameroun, face a este ato de provocação e agressão, reagiu :
- colocando as forças armadas do país face às tropas nigerianas
de agressão;
- levando simultaneamente o conflito às
instâncias regionais e internacionais
de negociação, de mediação e de
conciliação, particularmente a OUA e o Conselho de Segurança das
Nações Unidas;
- enviando a Lagos, junto ao governo da Nigéria,
personalidades do Cameroun, inclusive
o Ministro das Relações Exteriores, em qualidade
de enviados especiais de Sua Excelência o Senhor Paul
Biya, presidente da República do Cameroun,
a fim de encontrar uma solução fraterna, bilateral e pacífica
para a crise.
Em razão do silêncio dos antigos dirigentes da Nigéria no referente
à procura de uma solução negociada, o Cameroun optou de forma
irreversível pela via legal recorrendo à Corte Internacional de
La Haia, mantendo igualmente contatos, a um mesmo tempo internacionais
e bilaterais, com as autoridades da Nigéria e os países de boa
vontade, para as negociações referentes às condições da manutenção
da paz e do cessar fogo na península de Bakassi.
Esta dupla opção do Cameroun foi traduzida de forma concreta pelas
ações seguintes:
-
Em nível jurídico: o Cameroun recorreu, nos dia 24 de março
e 6 de junho de 1994, à Corte Internacional de La Haia com
duas demandas:
- a de confirmar a soberania do Cameroun sobre a península de
Bakassi e sobre a parte litigiosa na zona do lago Tchad, e determinar
o traçado de toda a fronteira marítima e terrestre entre os dois
países, particularmente:
- a fronteira marítima entre o Cameroun e a Nigéria além do ponto
"G" até o limite das zonas que o direito
internacional coloca sob a sua jurisdição;
- a fronteira entre os dois países (do lago Tchad até o mar) sobre
a base dos instrumentos jurídicos pertinentes elaborados pelo
Cameroun;
- fazer constar que a Nigéria falta a seus compromissos internacionais
em razão da violação de fronteiras do Cameroun e da ocupação de
uma parte do território deste país, utilizando a força armada;
- fazer constar a partir desse momento que a responsabilidade
internacional da Nigéria está comprometida, estando submetida
a todas as conseqüências estipuladas pela lei.
No dia 15 de março de 1996, a Corte Internacional de Justiça ordenava
medidas de forma a evitar os riscos de um agravamento da situação
e a preservar os elementos de provas necessárias para a resolução
do conflito.
No dia 11 de junho de 1998, a Corte rejeitou as oito objeções
preliminares apresentadas pela Nigéria que pretendiam impedir
a aceitação das demandas do Cameroun e mostrar a falta de competência
da alta Corte Internacional para julgar o assunto.
No dia 30 de junho de 1998, a Corte marcou o dia 31 de março de
1999, como último prazo para a
Nigéria apresentar sua defesa. A Corte Internacional
de Justiça havendo já declarado sua competência
no assunto, pronunciará seu veredicto
no momento oportuno.
-
Em nível diplomático, as iniciativas do Cameroun diante da
agressão da Nigéria foram marcadas,
além do envio de delegações especiais do
Cameroun à Nigéria:
- pelo encontro dos Ministros das Relações Exteriores do Cameroun
e da Nigéria em Kara, no Togo, em
1994 e em 1996.
-pelo envio, através do mundo, de missões do Cameroun visando
sensibilizar os diversos países, com a dupla finalidade
de explicar objetivamente a agressão da Nigéria sofrida pelo Cameroun
e de conseguir apoio dos Estados membros da
comunidade internacional.
Estas iniciativas do Cameroun atingiram o ponto alto por ocasião
das reuniões de cúpula entre o Presidente
Paul Biya do Cameroun e o General Abacha, Presidente
da Nigéria, em junho de 1994, em Tunisia, e em março de 1997,
em Lomé.
O Cameroun continua convencido que a paz e a solução pacífica
das controvérsias constituem as condições
necessárias e absolutas para o desenvolvimento econômico e harmonioso
dos Estados, o bem-estar das populações,
e a instauração de relações de amizade e cooperação
entre os Estados, tanto no plano regional como no plano internacional.
O Cameroun respeitou sempre escrupulosamente convenções e
tratados internacionais. Ele apela para
que a comunidade internacional convide a Nigéria a
fazer o mesmo.
Além do mais, as reivindicações sobre todos os pontos litigiosos
e o procedimento pacífico das autoridades camaronenses
se fundam de forma incontestável, de um lado, nas convenções,
acordos e tratados internacionais assinados
desde 1885, e de outra parte, nos princípios
e orientações tradicionais e intangíveis da política estrangeira
do Cameroun.
No referente aos acordos, convenções e tratados, trata-se do conjunto
de instrumentos jurídicos internacionais que determinam
as fronteiras terrestres e marítimas entre o Cameroun e a Nigéria.
Estas fronteiras têm uma extensão de 1720 km aproximadamente e
constituem há três décadas pelo menos, o objeto de várias violações,
e de inúmeras incursões militares e outras agressões por parte
da Nigéria, sobretudo na península de Bakassi,
na área do Lago Tchad e em outros lugares, em detrimento dos acordos
e tratados bilaterais e internacionais nos quais se apoiam as
reivindicações legítimas do Cameroun.
Os seguintes acordos ou
tratados internacionais, que constituem
a base das reivindicações legítimas
do Cameroun apresentadas perante a Corte Internacional de
Justiça (CIJ), podem ser citados:
- a Ata final da Conferência de Berlin de 26 de junho de 1885
referente, entre outras coisas, à determinação da fronteira
entre o Cameroun e a Nigéria;
- o intercâmbio de notas germano-britânicas de abril-junho de
1885, que definiu as esferas de influência da Alemanha
e da Grã Bretanha (então antigas potências governando respectivamente
o Cameroun e a Nigéria), a partir do
Golfo de Guiné;
- o intercâmbio de notas germano-britânicas de julho-agosto de
1886 que determina a extensão da fronteira entre o setor (camaronense)
alemão e o setor (nigeriano) britânico do Golfo de Guiné ao Rio
del Rey;
- o Acordo anglo-alemão de 14 de abril de 1893 que determinou
a margem direita do Rio del Rey como fronteira entre as possessões
das duas partes;
- o Acordo anglo-alemão de 15 de novembro de 1893 : este acordo
estendeu a fronteira comum até as águas do
Lago Tchad;
- o Acordo anglo-alemão de 19 de março de 1906: este acordo definiu
novamente a fronteira de Yola no Lago Tchad;
- o Protocolo de Archibong de 20 e abril de 1906 que tornou a
definir a linha de demarcação entre o Cameroun e o sul da Nigéria.
A fronteira se desloca assim do Rio del Rey para o rio Akwayafé;
- o intercâmbio de notas nos dias 22 de fevereiro e 5 de março
de 1909 que confirma a demarcação dos dois setores da fronteira
Gorege-Lago Tchad e Uba-Mayo-Tiel;
- o Acordo anglo-alemão de 11 de março que determina o traçado
da fronteira entre o Cameroun e a Nigéria de Yola
até o mar. Os artigos 18,19,20 e 21 deste acordo definem claramente
a "identidade camaronense" da península de Bakassi;
- o Protocolo do acordo de Obokum de 12 de abril de 1913 : este
protocolo do acordo determina a fronteira de Yola até o rio Cross
(setor 3). Oito mapas de referência estão anexados a este protocolo:
- o intercâmbio de notas de 6 de julho de 1914 que ratifica a
demarcação da fronteira comum entre
o Cameroun e a Nigéria tal como foi estabelecida
pelo Protocolo do Acordo de Obokum;
- o intercâmbio de notas franco-britânico de 9 de janeiro de 1931
que fixa a fronteira do ponto triplo do
Lago Tchad ao Pico Kombo (setor 1);
- o regulamento real britânico de 2 de agosto de 1946 : este regulamento
estipula a definição do setor 2 da fronteira
de Kombon até o rio Gamana;
- a linha Ngoh-Cooker de 4 de abril de 1971 ou a 2ª Declaração
de Yaoundé (4 de abril de 1971). Este acordo determina
a fronteira no setor 4 (Ponto 1 do rio Cross Ponto 12), no que
tem sido combinado em denominar a 2ª
Declaração de Youndé, os dois Chefes de Estado, camaronense
e nigeriano, dão à Comissão de fronteira conjunta
Cameroun-Nigéria, instruções estabelecendo que a fronteira que
separa os dois países é a que resulta da linha de compromisso
traçada de comum acordo sobre o mapa nº 3433 do Almirantado
britânico até o limite de três mil milhas marinhas da linha que
une os pontos SANDY e TOM SHOT, conforme o tratado anglo-alemão
de 1913.
No
seu espírito, substância e letra, esta declaração confirma, de
forma evidente, a identidade camaronense de Bakassi.
Além
do mais, faz parte dos acordos bilaterais mencionados a eguir,
que determinam a fronteira entre o Cameroun e a Nigéria:
-
Primeira Declaração de Yaoundé: a Comissão de fronteira conjunta
Cameroun-Nigéria esclareceu que a
delimitação das fronteiras entre os dois países devia ser realizada
em três etapas: a determinação da fronteira marítima com base
no protocolo anglo-alemão assinado em Obokum no dia 12 de abril
de 1913 e confirmado através de
um intercâmbio de documentos no dia 6 de julho de
1914; posteriormente a delimitação da fronteira
terrestre e a assinatura pelos dois
países de um tratado visando dar um caráter legal à fronteira
assim delimitada e fixada no próprio terreno. A delimitação
da fronteira marítima deveria ser determinada até o dia 30 de
setembro de 1970;
-
a Declaração de Lagos (21 de junho de 1971) : a comissão traçou
o limite das águas territoriais sendo objeto
de um acordo entre os Chefes de Estado do Cameroun
e da Nigéria em 4 de abril
de 1971. Estabeleceu para uma data
posterior a obtenção de uma de um mapa adequado e a redação de
um tratado sobre a fronteira marítima;
-
a Declaração de Kano: assinada pelos Chefes e Estado do Cameroun
e da Nigéria em 1º de setembro de
1974 por ocasião de uma visita do presidente Ahidjo à cidade
de Kano; esta declaração estabelece um corredor
de quatro km delimitando uma zona de fronteira
onde toda exploração de petróleo seria proibida para as duas partes;
-
a Declaração de Maroua: esta declaração foi assinada no
dia 1º de junho de 1975 pelos Presidentes do
Cameroun e da Nigéria no decorrer de uma reunião realizada
em Maroua no período de 30 de maio a 1º de junho de 1975; ela
estende a fronteira marítima entre o Cameroun e a Nigéria mais
para o sul até o ponto dito "G";
-
apesar de que ela foi assinada em nível mais alto dos dois
Estados, posteriormente registrado na
ONU, adquirindo assim o valor de tratado, esta convenção
foi denunciada de forma constante pela parte nigeriana pelo fato
de não ter sido ratificada pela Assembleia Nacional da Nigéria,
que não existia na época uma vez que o país estava sempre
sob regime militar.
Como
complemento destes acordos bilaterais, devemos mencionar :
-
as relações da comissão de técnicos da Comissão da Bacia do Lago
Tchad;
-
o princípio de inviolabilidade das fronteiras herdadas da colonização,
princípio reconhecido e aceito em
1964 pelos Chefes e Estado e do Governo dos países membros
da OUA, inclusive o Cameroun e a Nigéria.
O
segundo fundamento da atitude pacífica das autoridades do Cameroun
(diante do conflito de fronteira que opõe o Cameroun e a Nigéria)
tem como base as orientações tradicionais e os princípios intangíveis
da política externa do Cameroun ( tais
como são definidas e instituídas por Sua Excelência o Senhor Paul
Biya, Presidente da República do Cameroun), mencionaremos:
-
a independência nacional, a paz, a cooperação e a segurança internacionais;
-
as relações de boa vizinhança com os Estados limítrofes, conforme
as normas definidas pelas convenções entre
os países africanos e o direito internacional;
-
a promoção dos direitos humanos e dos povos assim como das liberdades
na sub-região da África Central, na África e no mundo através
das instituições sub-regionais (Comunidade Econômica dos Estados
da África Central ou CEEAC), continental
(OUA) e universal (ONU).
-
o esforço em favor de uma solidariedade mais estreita entre os
povos africanos;
-
a não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados;
-
a resolução de controvérsias pela via pacífica;
-
a promoção do desenvolvimento econômico caracterizado pela instauração
de um clima de intercâmbios benéficos
entre os povos;
-
o respeito da inviolabilidade das fronteiras herdadas da colonização;
-
a cooperação numa perspectiva de intensificação da unidade africana,
sub-regional e continental.
Contudo,
um elemento novo surgiu no litígio de fronteira após a morte de
Abacha em 1998, particularmente desde a tomada do poder do General
Abdusalam Abubakar e do Presidente Olusegun Obasanjo : o cessar-fogo
e em conseqüência de um clima de paz entre as forças
armadas do Cameroun e da Nigéria que se encontram "face à
face" na península de Bakassi.
Finalmente, devemos lembrar que o Cameroun , fiel a sua política
tradicional de paz e de resolução pacífica das controvérsias
faz questão de respeitar a solução legal através do veredicto
que está esperando da Corte Internacional
de Justiça (CIJ). É precisamente nesta perspectiva
que o Cameroun se comprometeu igualmente a promover a paz e a
segurança no Continente Africano em geral e no âmbito
da sub-região da África Central em particular. Em nível
continental, o Cameroun trabalhou de forma
constante com os países africanos
objetivando uma maior eficácia dos
mecanismos de resolução pacífica das controvérsias
no contexto da OUA (Organização da Unidade Africana).
A
OUA tem privilegiado de fato até 1993, a negociação, a mediação
e a reconciliação como métodos de resolução de conflitos, seguindo
o exemplo da comissão denominada de conciliação, criada em julho
de 1977, visando a resolução do
conflito do Tchad com a Líbia referente à faixa d’Aouzou,
comissão esta da qual faziam parte os presidentes do Cameroun,
da Algéria, da Nigéria, do Senegal, Gabão e Moçambique.
Devido
ao impulso dado pelo Cameroun e outros países africanos, os Chefes
de Estado e de Governo dos países membros da OUA, decidiram
por ocasião da vigésima nona conferência de cúpula desta organização
(Cairo, junho de 1993) criar e instalar um Mecanismo
para a prevenção, gestão e resolução de conflitos.
Este
mecanismo tem sido atuante e revelou um novo esforço da OUA através
do deslocamento de observadores da organização pan-africana no
Burundi.
No
contexto da sub-região da África Central, o Cameroun teve a honra
de presidir o Comitê Consultivo Permanente das Nações Unidas
sobre questões de segurança em África Central durante o período
de 1998 a 1999.
Também
convém frisar que de 19 a 21 de julho de 1999, foi realizado em
Yaoundé, um seminário de alto nível, no âmbito desta sub-região,
para o exame e aplicação das recomendações contidas no relatório
do Secretário Geral da ONU
dos
conflitos e a promoção de uma paz e de um desenvolvimento
duradouro na África, com a participação
do Cameroun, Burundi, Gabão, da Guiné Equatorial,
República Centro-africana, República Democrática do
Congo, de Ruanda, São Tomé e Príncipe, do Congo
e do Tchad, representantes da sociedade civil, representantes
e técnicos das Nações Unidas.
Dentre
as resoluções deste importante seminário, os países participantes
decidiram:
-
promover as relações de cooperação em matéria de intensificação
dos esforços para a manutenção da paz
entre os países da sub-região;
-
adotar medidas visando a instauração rápida de um organismo de
prevenção, de gestão e de resolução dos conflitos na África Central;
-
recomendar a agilização do processo objetivando emendar
os textos constitutivos da Comunidade
Econômica dos Estados da África Central (CEEAC) a fim de
permitir a integração do "Conselho
de Paz e de Segurança da África
Central/COPAX".
-
optar pela revisão e harmonização das leis nacionais relativas
ao porte de armas.
Estas recomendações tiveram avanços significativos, com vistas
a sua aplicação, por ocasião da terceira sessão extraordinária
dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Econômica dos
Estados da África Central que foi realizada em Malabo, no dia
24 de fevereiro de 2000.
Nesta
ocasião, os Chefes de Estado do Cameroun, da República Centro-africana,
da República do Congo, do Gabão, de São
Tomé e Príncipe, do Tchad e os representantes de Angola,
do Burundi, da República Democrática
do Congo adotaram e assinaram:
1)
o protocolo relativo ao Conselho de Paz e de Segurança da África
Central/COPAX;
2)
um pacto de assistência mútua entre os Estados membros da CEEAC.
Devemos
destacar que :
-
o protocolo referente ao COPAX define a organização, as atribuições
e o seu funcionamento;
-
os órgãos do COPAX estão assessorados
por um Mecanismo Rápido de Alerta da África
Central (MARAC) e por uma força multinacional da África Central;
-
através da assinatura do "Pacto de Assistência Mútua",
os Estados membros da Comunidade Econômica da
África Central se comprometem à prestação de ajuda e assistência
para sua defesa contra toda ameaça de agressão ou toda agressão
armada;
-
os Chefes de Estado se comprometeram para agilizar nos respectivos
países os procedimentos de ratificação destes textos
tendo em consideração a importância das questões examinadas.
Em
conjunto, estes mecanismos constituem uma contribuição muito importante
para a prevenção e resolução dos
conflitos; conflitos estes em que a aquisição de recursos naturais
é a maior causa.
A
COOPERAÇÃO ECONÔMICA INTERNACIONAL
No plano da cooperação econômica internacional, o
Cameroun é uma locomotiva da África Central
no campo dos serviços. Mencionamos como exemplo
o porto de Douala, que serve de estrutura de
trânsito para os países situados
no interior da região, sendo responsável pelas exportações
e importações no âmbito da África Central.
O
Cameroun ocupa assim um lugar particularmente importante
na Comunidade Econômica e Monetária
da África Central CEMAC. Esta função
de destaque econômico se reflete
igualmente através das dotações dos
orçamentos anuais do Cameroun.
Como
ilustração, apresentamos a seguir em suas diversas dotações
o orçamento anual do Cameroun para
o exercício de 1997-1998, primeiro ano de um novo
período de sete anos no Cameroun.
Para
o exercício de 1997-1998, o orçamento do Estado atingiu 1.214.750.000.000
de francos CFA, sendo o dos Correios
e Telecomunicações de 42 bilhões. Assim, os créditos abertos no
orçamento consolidado da República do Cameroun tais
como aprovados pela Assembléia Nacional foram
de 1.256.750.000.000 de francos CFA,
um aumento de 143.750.000.000 em comparação
aos 1.113 bilhões de francos CFA do exercício anterior de 1994-1995.
| Presidência
e Serviços relacionados:.......................................................................................... |
16.891.000.000 de francos CFA |
| Assembléia
Nacional:.............................................................................................................. |
5.895.000.000 |
| Serviços
do Primeiro Ministro:................................................................................................... |
3.226.000.000 |
| Conselho
Econômico e Social:................................................................................................... |
336.000.000 |
| Relações
Exteriores:............................................................................................................... |
9.926.000.000 |
| Administração
Territorial:......................................................................................................... |
17.720.000.000 |
Justiça:...............................................................................................................................
|
5.836.000.000 |
| Segurança
Nacional:.............................................................................................................. |
27.399.000.000 |
| Defesa:............................................................................................................................... |
75.707.000.000 francos CFA |
| Cultura:............................................................................................................................... |
1.386.000.000 |
| Educação
Nacional:............................................................................................................... |
84.697.000.000 |
| Juventude
e Desportos:.......................................................................................................... |
5.288.000.000 |
| Comunicação:....................................................................................................................... |
2.117.000.000 |
| Ensino
Superior:.................................................................................................................... |
11.795.000.000 |
| Pesquisa
Científica e Técnica:.................................................................................................. |
5.509.000.000 |
| Economia
e Finanças:............................................................................................................. |
24.782.000.000 |
| Comércio
e Indústria:.............................................................................................................. |
1.723.000.000 |
| Turismo:............................................................................................................................... |
1.337.000.000 |
| Agricultura:........................................................................................................................... |
118.514.000.000 |
| Pecuária,
Pesca e Indústria de produtos de origem animal:............................................................. |
3.791.000.000 |
| Minas,
Água e Energia:............................................................................................................ |
4.918.000.000 |
| Meio
Ambiente e Florestas:...................................................................................................... |
3.419.000.000 |
| Obras
Públicas:...................................................................................................................... |
34.314.000.000 |
| Urbanismo
e Habitação:........................................................................................................... |
10.488.000.000 |
| Saúde
Pública:...................................................................................................................... |
31.322.400.000 |
| Trabalho
e Previdência Social:.................................................................................................. |
1.614.000.000 |
| Assuntos
Sociais e Direitos da Mulher:....................................................................................... |
2.217.000.000 |
| Transportes:......................................................................................................................... |
2.311.000.000 |
| Administração
Pública e Reforma Administrativa:..........................................................................
|
2.722.000.000 |
O
Orçamento do Estado para
o exercício de 1997-1998,
constituído por estas receitas e
despesas se elevou a 1.256.750.000.000 francos
CFA.
Finalmente
é preciso assinalar que, conforme o plano de industrialização
adotado pelas autoridades do país, o Cameroun está
aberto aos investimentos externos e uma política ativa de
estímulo destes investimentos está sendo
executada através da adoção de um código de investimentos
dos mais convidativos que:
-
garante a segurança perante a lei dos investimentos;
-
permite a remessa de lucros para o país de origem dos investimentos;
-
oferece facilidades para a instalação dos investidores e das empresas
estrangeiras.
Devemos
mencionar aqui que, ao tempo em que mantém seus laços com os parceiros
tradicionais, o Cameroun está aberto a toda cooperação
que seja vantajosa reciprocamente com todos os países e operadores
do mundo.
Além
do mais, em decorrência da criminalidade que prolifera no mundo
em razão da crise e da recessão
internacionais, as autoridades do Cameroun naquilo que diz
respeito ao país, estão intensificando a ação das forças de segurança
no conjunto do território para garantir a segurança física dos
estrangeiros e nacionais assim como das propriedades e investimentos.
Após a adoção destas medidas reina a calma. Por outro lado,
é preciso frisar que para o conforto
dos turistas e dos investidores estrangeiros
que desejarem ir ao Cameroun:
-
a península de Bakassi, objeto de um litígio de fronteira entre
o Cameroun e a Nigéria não está situada no
centro do território camaronense que tem uma área
de 475.440 km2, mas na parte extrema
do sudoeste do Cameroun, às margens do
Golfo da Guiné voltado para o Oceano Atlântico;
-
Há dois anos o clima de paz reina na área do litígio após a morte
súbita do General Abacha e a tomada do poder
do General Abdusalami Abubakar e o Presidente Olusegun Obasanjo;
-
As forças armadas do Cameroun e da Nigéria que estão posicionadas
na área estão conscientes da necessidade de
manutenção de um clima de paz no aguardo do veredicto da Corte
Internacional de Justiça.
O
COMÉRCIO EXTERIOR
No
transcurso do primeiro trimestre do exercício de 1999/2000, os
principais produtos exportados pelo Cameroun
foram os produtos do petróleo bruto (86,2 bilhões de francos
CFA por 1,5 milhões de toneladas), os produtos não elaborados
sem ter em conta o petróleo bruto representaram 28,5% das receitas
de exportação: banana, café arábigo e
robusta, madeira, cacau e subprodutos, tiveram
a maior contribuição.
Os
produtos industriais representaram 32,4% das receitas de exportação
tais como folhas de revestimento, madeiras.
Tradicionalmente
e até 1993/1994 a França era
o principal importador dos produtos
de exportação do Cameroun. Em 1993-1994,
a França importou 21,5% das exportações do Cameroun,
seguida da Itália (15,56%), da Espanha
(15%) e do Benelux (2,3%).
Esta
tendência foi modificada desde o período de 1996-1997 com um incremento
das importações da Itália (25,5%), seguida da
Espanha
(20,4%) e da França (16%). Esta nova tendência
teve uma alteração durante o primeiro
semestre do exercício de 1999/2000, particularmente
em novembro de 1999, com 18,3% para Itália, 17,7% para a França
e 15,8% para a Espanha.
A
França porém, continuou sendo o principal fornecedor do Cameroun
com 25,1% das despesas em importação do Cameroun em 1996-1997,
e 26,7% em novembro de 1999.
Em
1998, as exportações globais do Cameroun atingiram o valor de
985 bilhões 827 milhões de francos CFA e esta tendência
foi reforçada no transcurso dos anos seguintes.
AS
REFORMAS ECONÔMICAS
O
Cameroun, independente desde 1960, teve durante 27 anos um crescimento
constante, que se acelerou de 1980 a 1986 com os benefícios da
exploração do petróleo.
Contudo,
desde o ano de 1987, em razão da queda dos preços dos principais
produtos de exportação (petróleo, café. cacau);
queda esta ligada à recessão surgida no mercado internacional,
o Cameroun passou por uma crise importante que precisou
a implementação pelo Estado, com o apoio do Banco Mundial, de
um programa de ajuste estrutural objetivando restabelecer
os grandes equilíbrios financeiros e retomar o crescimento da
economia nacional.
Além
do mais, no contexto da política de liberalização geral da economia,
da criação de um ambiente propício aos negócios e
de incentivo ao setor privado, o governo adotou uma série de medidas,
dentre as quais a substituição das múltiplas
taxas por uma taxa de valor adicionado (TVA), o melhoramento
da fiscalização e sua extensão para o setor informal que ocupa
um lugar importante na economia do país, a aceleração das
privatizações, o código de investimentos favorável
aos capitais nacional e estrangeiro, e um regime
de zona franca.
Foi
verificado que a forte supervalorização do franco CFA com relação
ao franco francês teve como conseqüência tornar
mais caras as principais exportações e até o processo de produção
até no mercado interno, daí a
decisão de fazer um acordo comum com os
países da Zona Franca, inclusive com a França, visando
modificar a paridade franco CFA-franco
francês: o franco CFA foi desvalorizado no dia 12 de janeiro de
1994 em Dakar.
No
período de 1993-1994, a produção interna bruta do Cameroun era
de 3 416 bilhões de francos CFA. Ela atingiu 5.407 bilhões de
francos CFA em 1998.
AS
COMUNICAÇÕES
A
maior parte das emissoras de rádio e de televisão operam através
da Corporação da Rádio e da
Televisão do Cameroun (CRTV), uma empresa pública.
O
Parlamento do país adotou uma lei que autoriza a mídia privada
da comunicação; assim, sociedades privadas e particulares
poderão adquirir o equipamento
indispensável para operar uma rádio
ou um canal de televisão. O
decreto para sua implementação foi assinado pelo Primeiro
Ministro no dia 3 de abril de 2000.
Nas
cidades, muitos lares possuem um televisor; outro acessório popular
é o vídeo. Alugar filmes e assistí-los em casa é algo
comum.
O
Cameroun como muitos outros países assiste
a uma revolução da televisão. Com
ajuda de antenas parabólicas os telespectadores
vêem programas de televisão oriundos de quase todos os países
do mundo.
Os
serviços do Correio são também muito dinâmicos;
existem serviços de entrega rápida.
Os Camaronenses podem se comunicar rapidamente
com os habitantes de outros países através de telex, telefone,
fax e correio eletrônico. A Internet está apresentando
uma expansão rápida.
As
comunicações particulares e de negócios são efetuadas com o apoio
de 108 mil telefones existentes no país. Só
precisa discar diretamente os números; o sistema é automático.
No Cameroun podem ser encontrados dezenas de títulos de jornais,
a maioria são particulares.
A
empresa CAMTEL está encarregada das telecomunicações
internacionais do Cameroun. A CAMTEL
é membro de um consórcio INTELSAT que opera
e transmite informações para cinco continentes. O
telefone celular tem um desenvolvimento
rápido com a instalação das empresas privadas de grande porte
tais como a Sociedade Camaronense de Telefonia Móvel, mais conhecida
através de sua marca comercial a MOBILIS e a MTM.
PESQUISA
E DESENVOLVIMENTO
A contribuição do Cameroun no mundo científico
e tecnológico têm como principal destaque a agricultura e a pesquisa
no setor da medicina.
Na
agricultura os pesquisadores do Cameroun trabalham em estações
experimentais procurando novos pés de plantas híbridas para
os vegetais; o que permite o aumento do rendimento dos produtos
de alimentação. Eles encontraram igualmente
novos meios de conservação dos alimentos, de preservação, estoque
e comercialização dos produtos agrícolas. Os pesquisadores do
país melhoraram igualmente matrizes animais o que proporcionou
uma carne excelente.
Progressos
consideráveis foram realizados através de uma melhor utilização
da terra. Graças a melhores métodos na utilização de fertilizantes
e de conservação dos solos, a produção é cada vez maior.
No
campo da medicina as pesquisas no Cameroun sobre o VIH (como no
resto do mundo) estão sendo aceleradas
para os tratamentos preventivos tais como: bactericidas,
produtos aplicados localmente destinados a matar os vírus e as
bactérias.
Neste
setor a pesquisa local fez grandes progressos com a descoberta
da planta de Korup, produzida na reserva florestal
do mesmo nome na província do Sudoeste. Os pesquisadores americanos
já determinaram a eficácia desta planta. Contudo,
sua eficácia é muito próxima daquela da toxidade; razão pela qual
os experimentos nos seres humanos não
foram jamais feitos pelos cientistas. Por enquanto,
os médicos tradicionais que possuem a planta continuam a administrá-la
com relativosucesso.
Longe
destes métodos empíricos da medicina tradicional, a humanidade
mantém a esperança com as vacinas que previnem a contaminação.
SISTEMA
BANCÁRIO
O
Cameroun é membro da Zona do Franco. A unidade monetária
é o franco CFA: 1 franco francês =
100 F CFA. Devemos frisar que um euro vale 6,55955 FF sendo
igual a 655,955 FCFA.
Ao
Banco dos Estados da África Central (BEAC) criado em 1972, cuja
sede é Yaoundé, incumbe a função de emitir moeda nos Estados da
África Central mencionados a seguir: a República Centro-africana,
o Congo, o Gabão, o Tchad, a Guiné Equatorial e o Cameroun.
Os
bancos instalados no Cameroun têm uma rede mundial
de agências. Cooperativas financeiras existem
também e são denominadas "tontine", forma
informal de associação rotativa de poupança e crédito.
A
PREVIDÊNCIA SOCIAL
A
maioria dos trabalhadores do Cameroun tem o benefício da aposentadoria.
O
Instituto Nacional de Previdência Social (Caisse nationale de
prévoyance/CNPS) criado no dia1º de julho de 1967, administra
as contribuições dos empregados e empregadores e paga aos trabalhores
e famílias as pensões em caso de aposentadoria,
morte ou invalidez.
O
SINDICALISMO
A
legislação do Cameroun estimula a formação de sindicatos no setor
privado e também na administração pública.
Há
duas centrais sindicais no Cameroun: a Confederação Sindical dos
Trabalhadores do Cameroun (CSTC) e
a União dos Sindicatos Livres do Cameroun (USLC).
A
SITUAÇÃO DA MULHER
As
mulheres representam 51% da população do Cameroun. A luta contra
as práticas discriminadoras a respeito das mulheres é traduzido
no Cameroun por textos legislativos e regulamentos relativos ao
respeito dos direitos da mulher.